Futuro da Economia mundial inclui mais ética e ESG

Gestão Pública
O representante do CLAD Luis Molina iniciou sua participação explicando o que era ética para os indígenas da América Latina, e que a palavra dada valia mais do que qualquer acordo escrito. Na sequência, ele comparou o valor à corrupção que tomou seu país, séculos mais tarde, e que promoveu sucessivos impeachments de seus presidentes.
Na sequência, o administrador peruano mostrou fotos de obras inacabadas em seu país: a primeira de uma escola em construção — com 63 dias de atraso — e outra, de saneamento básico, com 71% de atraso em relação ao cronograma de trabalho.


“Imaginem os danos que essas obras causam aos alunos que ficaram quase três anos parados e agora necessitam urgentemente retomar seus estudos. E essa outra obra, qual o impacto dela sobre a população em termos de conforto ou mesmo de perdas financeiras às empresas, pessoas e instituições em geral?”, questionou.
Molina explicou que é preciso entender os motivos de tais erros de gestão e, sobretudo, saber a quem tais ações beneficiam. Ao apresentar a figura de um iceberg, disse que a falta de fiscalização é tão grave quanto a corrupção, pois ambas prejudicam o dia a dia e o futuro das cidades e empresas.
O administrador afirmou, ainda, que a governança implica que a cidadania esteja presente e que haja supervisão e prestação de contas. Ressaltou que são gastas grandes quantias de dinheiro, mas não são executadas as obras ou, quando entregues, estão muito fora do prazo de conclusão; concluiu citando exemplo do que aconteceu ao Peru, durante a pandemia.


“Houve muita falta de governança por lá: qual o motivo de alguém que não tem formação em logística estar à frente das decisões (de entrega de vacinas) durante a pandemia? Precisamos apoiar a meritocracia, abrindo espaço para aqueles que estudaram determinadas áreas da administração, mas que por razões políticas ou falta de regras acabam perdendo espaço para amadores”, sentenciou.
Economia mundial
Última a palestrar, a economista e consultora de ciências Ergunova Titovna contou como funcionam as práticas ESG em seu país, a Rússia, e sobre as rápidas mudanças de ambientes de negócios em todo o mundo. Afirmou que já é possível inferir como as ameaças ao meio ambiente e à sociedade prejudicam a economia mundial.

Titovna disse que a guerra entre Rússia e Ucrânia tem causado desabastecimento de energia e comida, na Europa e no mundo, e que há previsões que indicam quedas de crescimento de 60% (antes previstas) para 3,1%. O mundo experimentaria crescimentos expressivos na pós-pandemia, porém a guerra — que pode ser longa e sem previsão para acabar — reduziu drasticamente as chances de recuperação econômica.
“É alarmante, pois temos países desenvolvidos que já se recuperaram em 100% da economia. Porém, com uma crise internacional em curso, muitas outras nações se afundam e faz com que pessoas vivam em pobreza extrema”, sentenciou.

